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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

segundo, terceiro, quarto... olhar


Voltei a Londres, 5 anos depois, muitas situações novas, outras, nem tanto. Emoções que se repetem e se modificam, como podemos ser diferentes cada dia?
Sempre soube que voltaria a Londres, desde que fui embora. Sabia que iria voltar e isso era mesmo uma sensação perene, então, há uns meses, como um furacão que passou na minha vida eu vim para França e daqui voltei a Londres (a passeio dessa vez). E a sensação de de retorno e mudança continua perene em mim. Além de ver Londres de outro modo, me vejo sempre a mesma e sempre diferente. É estranho ter a sensação de mudança, mas saber que minha essência não mudará. Que posso ter vários olhares sob situações e pessoas diferentes, de ver que tudo pode ser mais fácil, de notar como eu me preocupo com antecedência e de nada adianta, de como eu tenho medos que são inviáveis, de algumas vezes até me acomodar e deixar o mais fácil acontecer, porém, ao mesmo tempo uma sede insana por não me acomodar, de buscar sempre algo que ainda fico na dúvida do que é. Será que sempre vou ter essas dúvidas? Será que sempre terei olhares diferentes e sempre buscando algo? No tempo que eu estava em Londres guardo inúmeros sentimentos, guardo amizades e um amor que tive, guardo lembranças que me fizeram melhor, me fizeram menos ingênua e até mesmo me mostraram que posso superar meus limites quando eu quiser. Aqui tem sido menos difícil que foi em Londres, de saudade, de morar, de conviver... talvez por eu ser diferente do que era, talvez por aqui ser diferente de lá, o que importa é que aqui tem me feito ainda mais humana tanto quanto Londres me vez e que guardarei lembranças e ensinamentos para sempre...

Au revoir

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Como ser uma loser em Londres

1) chegue na cidade e trabalhe em um Pub em que o chefe seja insuportável;

2) fechado um mês de trabalho, seja demitida por ter se atrasado 15 minutos em um dia (desculpa esfarrapada mode ON);

3) receba seu salário com um atraso de dois meses, e perceba que não foi o valor correto;

4) ache outro emprego, agora bem melhor, para começar tudo do zero e ser mais feliz assim;

5) como a saudade bate forte, decida comprar um computador usado para falar no skype com a família, sai muito mais em conta;

6) ache um anúncio em um site famoso e entre em contato com o vendedor interessado;

7) marque de ir na casa dele e, ao chegar lá, perceba que ele tem traços indianos (OHMYGOD!);

8 ) compre o computador o mais rápido possível para ter o menor contato possível com a criatura;

9) chegue em casa, note que o CD de instalação do Windows é pirata e que o carregador do computador não é o original, e sim um universal;

10) Ok, a máquina funciona, pelo menos. Instale os programas mais usados e comece a entrar em contato com o lado de lá do oceano;

11) após uma semana de uso, sinta um cheiro de queimado pelo quarto. O que será? Olhe para o chão e perceba uma fumaça saindo enfurecidamente do tal carregador. Pifou.

12) Após tentar consertar tudo, note que seu computador começa a dar panes e, logo depois, descubra um cavalo de tróia galopando pelos programas e espalhando vírus por tudo;

13) ligue para o vendedor e marque uma “visita” para resolver o problema;

14) depois de muita conversa, de ligar para sua tia falar com ele e convencer ele de que você realmente não quer o computador e sim o dinheiro de volta, pq não é idiota;

15) vá embora com uma quantia menor do que pagou, mas pelo menos com o problema resolvido.

e este é mais um dos motivos que me fazem alimentar o pânico que tenho.


Crônica de Renata Crawshaw
http://recrawshaw.wordpress.com/