quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Natal e família

Primeiro Natal longe de casa, longe da minha família... isso já me fez chorar algumas vezes e até já me deu vontade de fazer de conta que não era Natal. Afinal, para mim, natal é estar na casa de Itapeva, com mãe, manos, Lauren, Izabela, Patricia, Jorge e agregados. Aquela nossa bagunça: eu e Patricia arrumando a mesa, mãe cozinhando, aquele cheiro maravilhoso que se espalha pela casa... Fabricio e Fabiano dizendo "oh meu, tu tá podre, foi tu né?" rsrsrsrs; Izabela gritando e correndo louca para ver os presentes e esperando o Papai Noel; Lauren vestida para entregar os presentes... coisas que fazem com que nosso natal seja "o nosso natal", então, se não terei isso esse ano, não será um natal de verdade. Não será completo...por melhor que seja, faltará eles... faltará quem faz parte de mim. Quem eu amo mais que tudo. Isso tudo não é só porque é natal ou porque estou longe, eu sempre soube dar valor a eles, sempre curti isso. Logo estou voltando para casa, ainda mais logo meu irmão está vindo e isso me dará uma energia nova. Semana passada fui à Itália, tomei champagne na Louis Vuitton de Milão, paguei por uma taça de vinho quase o que pago por uma garrafa aqui na França, sai de Florença antes que os trens parassem por causa da neve, quase todas unhas quebradas, um nascer do sol em Veneza de arrepiar e o mais emocionante: fui em Cássia, cidade da Santa Rita. Lá rezei, pedi e agradeci por essa família maravilhosa que tenho, pelos meus amigos, pelas surpresas dessa nossa vida e pelas pessoas que cruzam e permanecem em nossos caminhos.
Ir na cidade de Santa Rita não estavam nos meus planos, mas como quase nada foi planejado por aqui, achei que era hora de eu ir... e foi uma hora maravilhosa. Para 2011 não farei planos, metas ou coisa que o valha, eu viverei como disse que viveria: intensa e pensando que as coisas acontecem exatamente como devem acontecer...destino ou a palavra que melhor caber, eu aguardo de braços e coração aberto tudo que 2011 tem para me oferecer, com pensamento positivo, fé e coragem para enfrentar os desafios, esperando que seja mais um ano maravilhoso para mim, para minha família e amigos. Natal longe deles, mas com o coração bem perto...com a certeza que de logo vou tê-los por perto, e mesmo longe eles me dão força e me fazem feliz cada um do seu jeitinho. Mãe, Pai, Fabricio, Fabiano, Patricia, Lauren, Izabela, Jorge... EU AMO VOCÊS e SENTIREI MUITO A FALTA DE VOCÊS NESSE NATAL!
Desejo a todos um Natal cercado de amor e de pessoas, que de alguma forma (longe ou perto) façam parte de ti. Desejo também, um ano novo maravilhoso, cheio de surpresas boas, alegrias e realizações, com muita luz e paz.

Beijos

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

desprender

Voltar a ser criança é se desprender. Semana passada fomos a Euro Disney, e realmente é um mundo mágico. E eu, que há 15 anos fui na Disney pude rever quase tudo com outros olhos. Lembro bem que aos 14, eu tinha certa vergonha em tirar foto com os personagem ou me deslumbrar com o cenário que eles montam para que a gente se sinta exatamente assim: deslumbrada. Olha que eu não era uma adolescente que se importava muito em parecer ou não criança, mas imagino o trauma que isso pode causar a um adolescente: ser criança/não ser criança, não ser adulto/ser adulto... certeza que mais uma vez, minha mãe teve que ser "dura na queda", teve que saber ensinar, e ensinou bem (tadinha, 3 filhos significa que ela passou por isso 3x), mas essa reflexão sobre a bipolaridade doida da adolescência foi para me fazer pensar porque é tão difícil se desprender? Se desprender da infância, da adolescência, do colo da mãe, de uma cidade, de um amor...Porque é tão difícil soltar as mãos? Soltar as mãos do mesmo jeito quando se solta as mãos na montanha-russa e se curti o vento gelado batendo no rosto. Porque é tão difícil mudar de cidade, de emprego, porque é tão difícil "experimentar o novo"?
De uns dias para cá, resolvi que iria me desprender de algumas coisas : começei me desprendendo de uma pessoa que estava me fazendo mal, e talvez, fazendo com que eu perdesse outras coisas, e nesse instante, notei que já pratico a arte de "soltar as mãos". Me desprendi quando fui para Londres, me desprendi quando fiz a primeira tatuagem, e a segunda, me desprendi quando chorei dias e noites por um namorado que me deixou, me desprendi há 3 meses quando decidi vir para Troyes e tantos outros desprendimentos que ainda não tinha me dado conta... não tinha me dado conta que não é tão difícil assim se desprender...e quando a gente se desprende as oportunidades fluem mais, o olhar se abre... não é tão díficil soltar a mão da montanha-russa e se sentir ainda mais livre. Não vem me dizer que na montanha-russa tem o cinto que te dá a certeza que não vai cair... eu não tenho certeza nenhuma... dá o medo igual, mas não vou deixar de soltar as mãos... não vou deixar de me desprender Se eu ficar presa eu posso perder algo mágico que está por vir...então abra os olhos, solte as mãos e espere o próximo looping!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Trois mois

Começo o post citando Coco Chanel: "Eu já não sou o que era: devo ser o que me tornei". Hoje faz 3 meses que estou na França e parece muito mais, deve ser por que vivemos tudo com muita intensidade, deve ser por que eu sou intensa: fazer uma janta para amigos torna-se um evento, ir a lavanderia, banco, mercado, lojas, coisas cotidianas que viram aulas de francês involuntárias, tudo vira mais, um beijo, um olhar, um abraço, um rebolado... Todos os dias tem uma surpresa, desde quando chegamos no aeroporto e descobrimos que não havia mais ninguém nos esperando até a primeira neve que teve semana passada, neve a qual fez com que saíssemos pelas ruas fazendo guerra de bola de neve depois da festa.
Se adaptar ao horário, as aulas (pela língua, pelo distribuição das aulas), a distância, se adaptar a um mundo que não é totalmente real e com tempo para terminar. Conhecer e se conhecer, se surpreender com pessoas, andar na rua e não saber mais qual a língua que deve ser dita, viver em uma cidade e saber que se encontrar alguém na rua se sabe exatamente de onde a conhece: da faculdade (de uma ou da outra), saber que alguns amigos que fiz talvez eu nunca mais os veja, saber que algumas coisas serão totalmentes diferentes. É um clichê dizer isso, mas é a pura verdade, o tempo passa muito depressa quando estamos vivendo algo diferente...(desculpa, mas preciso usar das palavras de outra pessoa novamente): "o tempo é relativo" bem sabia Einstein, e, 3 meses aqui quer dizer 2 meses para eu voltar. Sei que dezembro vai passar muito rápido e logo será janeiro e minhas últimas aulas e dias por aqui. Cada vez mais vejo que aqui, ai, ou qualquer parte do mundo o importante é viver o dia, mas não é viver sem pensar no amanhã (não sou imprudente e talvez nunca serei), é viver pensando que o tempo voa, viver pensando que no outro dia tem mais e será totalmente diferente e isso é que faz feliz, te faz melhor...Fiz muita coisa aqui, todas que minha cabeça, coração e bolso permitiram, não faria nada diferente... e estou certa que esses 2 meses serão do mesmo jeito: intenso, diferente, surpreendente e principalmente, serão vividos como todos os outros que terei do dia de hoje para frente, e quando eu estiver ai de volta e estiver triste por algo, vou lembrar dos dias daqui e vou levantar a cabeça e chutar para frente, porque eu vim foi para fazer meu futuro diferente, de um jeito ou de outro.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

quanto menos esperamos...

mais nos surpreendemos..
Nesse último final de semana fui para Bélgica com o pessoal da faculdade, conheci Bruges; uma cidade linda, cheia de charme, bem aquelas de filme, mesmo chuvendo quase todo o tempo valeu todas as vezes que abri o guarda-chuva...

Depois de Bruges, fomos para Bruxelas. Eu não esperava que fosse tão bonita,mas é, além do cheiro da cidade ser maravilhoso, não é só cheiro de chocolate belga, os dos waffes também, o cheiro se espalha pelo ar, ainda, Bruxelas tem cheiro de cultura pura; as ruas são uma galeria de arte a céu aberto, para completar, as árvores mostravam que logo vai esfriar mais, e mais quer dizer menos. Menos como o -1 que já fez na França.

Depois de um final de semana em que ri muito como Bruno e Giuliano, cheio de surpresas e descobertas de mim mesma (sim, alguns segredinhos guardados), veio algo que nunca fiz antes: apresentação na faculdade em inglês, mesmo estando na França, as aulas são em inglês (bom lembrar isso). E vou contar para vocês, tremi a perninha e tive que respirar fundo para não fazer muito feio hehehe. Bem, termino o post, como começei: quanto menos esperamos, mais nos surpreendemos. E isso vale para tudo e eu, ah eu adoro ser surpreendida!!!!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

mar, viagem, dois meses...


Semana passada, foi feriado aqui também, porém, dia 1 de novembro: todos os santos (e não 2 de novembro como no Brasil) fomos para o Monte St. Michel, St. Malo e Normandia. Ver o mar é sempre renovador. Caramba, como pode? que energia que tem a água salgada, a areia (mesmo com textura diferente), o cheiro... isso me renova, foi uma viagem inesquecível. Dirigimos por estradinhas que pareciam cenas de filme, vimos paisagens e folhas caindo que viraram momentos mágicos. Em St.Malo vimos um pôr-do-sol lindo, aquele céu laranja com o mar ajudando... bah, é impagável! Da viagem ainda tenho para contar que o quarto do hotel teve vinho, damasco, pistache e violão, jogo da regra e 4 brasileiros que se tornam cada vez mais amigos...Da "rotina" tive bastante aula essa semana e amanhã: aula novamente, tudo bem, para quem só se livrou um semestre de aula ao sábado na UFRGS, dois sábados será coisa pouca, eu até estava sentindo falta da correria, para completar a diferença de horário daqui e do Brasil diminuiu: 3 horas só! isso facilita e atrapalhada. Mas já vou me ajeitar a isso também. As aulas estão super boas (tirando alguns estudantes franceses que se comportam como se estivessem na escola primária), aprendendo bastante,quebrando a cabeça algumas vezes, mas foi para isso que vim, não? ainda por cima, reiniciei meu TCC e com força total, tenho muito para ler e aprender, mas adoro isso!!!
Dois meses aqui, falam que o tempo passa rápido e que temos que aproveitar: estamos sabendo aproveitar, cada um do seu jeito, com todas particularidades e loucuras, com essa mistura de novo com saudade, de curiosadade e de medo, com cheiro de vinho e champagne, sabor de lentilha e crème brûlèe... é, o quarteto fantástico tem aproveitado bem!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

greve, temperatura negativa e selo no passaporte

França tem greve, e greve forte. Desde que chegamos já teve greve do RU, dos trens e agora a mais forte delaa. A dessa vez bloqueou refinarias e isso tem fechado postos de combustível e feito com que se instale o caos. Essa greve é um protesto contra a reforma previdenciária que será votada essa semana. A França é um país marcado por trabalhadores que seguem o lema "liberdade, igualdade e fraternidade" e une-se a isso a democracia e a sede por direitos e tem-se a greve e as consequências que esse grito social carrega em si. Aqui é interior, então não estamos vendo os protestos de forma forte, mas adiamos uma viagem para Normandia já que não sabemos até quando vai durar, se Lady Gaga cancelou seu show em Paris nesse final de semana, quem somos nós para não adiar (em uma semana) nossa viagem? E falando em direitos, agora tenho direitos à alguns benefícios franceses. Tenho minha carte de séjour e sou moradora francesa, fui ao CAF hoje e parecesse muito com uma agência do INSS do Brasil, e o CAF nada mais é que uma "bolsa-família", desculpe a generalização, mas é mais ou menos assim (entre outros beneficíos): se estuda tem direito, logo, eu também tenho.
Trocando de assunto, e falando de tempo, não tempo ruim de greves e protestos, mas tempo de temperatura negativa, quase dois meses, e ao acordar vi a temperatura de -2,
era um frio diferente do nosso do sul, já dá para notar como será o inverno se estamos ainda no outono. Acho que vou enjoar de ver neve :-)

au revoir

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

segundo, terceiro, quarto... olhar


Voltei a Londres, 5 anos depois, muitas situações novas, outras, nem tanto. Emoções que se repetem e se modificam, como podemos ser diferentes cada dia?
Sempre soube que voltaria a Londres, desde que fui embora. Sabia que iria voltar e isso era mesmo uma sensação perene, então, há uns meses, como um furacão que passou na minha vida eu vim para França e daqui voltei a Londres (a passeio dessa vez). E a sensação de de retorno e mudança continua perene em mim. Além de ver Londres de outro modo, me vejo sempre a mesma e sempre diferente. É estranho ter a sensação de mudança, mas saber que minha essência não mudará. Que posso ter vários olhares sob situações e pessoas diferentes, de ver que tudo pode ser mais fácil, de notar como eu me preocupo com antecedência e de nada adianta, de como eu tenho medos que são inviáveis, de algumas vezes até me acomodar e deixar o mais fácil acontecer, porém, ao mesmo tempo uma sede insana por não me acomodar, de buscar sempre algo que ainda fico na dúvida do que é. Será que sempre vou ter essas dúvidas? Será que sempre terei olhares diferentes e sempre buscando algo? No tempo que eu estava em Londres guardo inúmeros sentimentos, guardo amizades e um amor que tive, guardo lembranças que me fizeram melhor, me fizeram menos ingênua e até mesmo me mostraram que posso superar meus limites quando eu quiser. Aqui tem sido menos difícil que foi em Londres, de saudade, de morar, de conviver... talvez por eu ser diferente do que era, talvez por aqui ser diferente de lá, o que importa é que aqui tem me feito ainda mais humana tanto quanto Londres me vez e que guardarei lembranças e ensinamentos para sempre...

Au revoir