sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A blusa roxa...

Quando saio pela manhã leio um recado na porta do edifício: "oi, encontrei uma roupa feminina no corredor do prédio, se for tua, me ligue XXXX". Na hora eu penso: será que sou eu? (quase pensei: quem será a boca aberta que fica perdendo roupa pelo caminho?) e penso também: que gentil, ela podia esperar que alguém pedisse, podia nem dar bola, mas deixou o recadinho. Cheguei a pensar na blusa roxa que não lembrava de ter lavado e que eu já tinha deixado cair naquele mesmo dia entrando no prédio do mano e que depois a encontrei na saída. A noite chego em casa e lá continua o recado, resolvo mandar uma mensagem para ver se era uma blusa roxa que ela tinha encontrado (afinal, não estava no armário, mas eu podia ter levado para lavar). E não é que era a minha??!!! A minha blusa roxa que insistia em deixar de ser minha... Para maior ironia, quando fui dizer qual era meu apartamento, penso no mesmo minuto "já pensou se é a vizinha aqui do lado?" e não que era ela mesmo??!! a pessoa gentil que encontrou a danada da blusa roxa é a vizinha mais barulhenta e sem noção que já tive... Mais uma vez minha intuição dando sinal que eu devo acreditar nela, ela quase sempre acerta, eu que sou teimosa e me faço de surda e não sigo... Dessa singela história cotidiana dá pra pensar algumas coisas: 1) Não julgar/pensar que outra pessoa é boca aberta (ela pode ser você mesma) 2) Até as pessoas mais sem noção de coletivismo podem ser gentis e pensar no bem do outro (mesmo que seja só uma blusa roxa) 3) O que é pra ser teu, mesmo que perdido várias vezes no mesmo dia, no mesmo mês, no mesmo ano... mesmo que perdidas por descuido, se ela for mesmo para ser tua, ela volta a ser tua. Com pessoas dá pra usar a mesma analogia... pessoas não são blusas roxas, mas elas também voltam, não por serem "tuas", por que não são propriedades, mas voltam por estarem de verdade no teu caminho... Talvez algumas vezes seja necessário alguém deixar um recadinho, alguém avisar, alguém pensar em "vou tentar pra ver se é" ... De algum jeito, blusas roxas e pessoas voltam... se assim for para ser...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Troyes: onde a intensidade habita

Troyes é onde realmente a intensidade habita, cada minuto parece uma hora, cada hora um ano. Não chegamos a ficar um ano por lá, não precisamos desse tempo... 5 meses foi o suficiente para notar o quanto crescemos, o quanto mudamos e nos apaixonamos pela vida e pelo que ela nos proporciona.
Hoje faz um ano que Bruno, Giuliano e eu embarcamos para França e encontramos a Lidi por lá. Éramos quatro quase desconhecidos que se tornaram cúmplices, viviamos sabendo que a família de sangue e amigos de mais tempo estavam longe, mas que cada um de nós podia contar com outro para o que precisasse.
Nós formamos um ótimo quarteto, foi um maravilha de semestre, delícia de cidade, de vinhos, queijos e sabores... muitas coisas maravilhosas que vivemos, ensinamentos, amores e desamores, pessoas que jamais serão esquecidas... saudades dessa época que não volta mais, mas tenho na memória, na rebolada, nas palavras cada momento vivido, cada pessoa que convivi.
Como tudo que falei nesse blog foi relacionado a minha própria vida e esse post não seria diferente. Fui a França, aprendi muito. Viajei por lá, aprendi um pouco mais. Voltei, aprendi muito mais ainda. Há poucos dias teve minha formatura e toda grande comemoração fecha um ciclo, esse post me ajuda a fechar mais um ciclo dessa vida. Busco agora (ainda mais) sanar as dúvidas de coração e profissional que ainda pairam, porém tenho certezas que são perenes. Mas sei também que preciso mudar, continuar mudando e buscando e sei o que busco e vou atrás. Nada a mais, nada a menos que um amor verdadeiro e uma vida profissional que sempre imaginei. Opa! nada a mais não! quero muito mais!!!!! Porque a intensidade habita em Troyes, mas ela me visita constantemente.





domingo, 10 de abril de 2011

sutileza...

Sou feliz por ser feliz, não apenas por estar feliz. Não esqueci do blog ou não tive tempo ou qualquer outra desculpa que possa ser dada, eu apenas estava achando que não tinha nada para escrever. Penso mesmo às vezes: será que tem alguma finalidade o que escrevo? Se sou lida ou se uso esse blog apenas para meus devaneios? sim, isso passa pela minha cabeça e acabo não escrevendo... ato de carência de uma "pseudo-escritora", até que descubro sem querer que sim, que sempre se é notada, lida, ouvida, falada... Minha auto-estima não é nada baixa (não é por isso essa carência, rsrsr) sou pouco modesta até demais às vezes (risos), mas acha que dou bola para isso? De maneira nenhuma. Se sou, se deixo de ser ou se pretendo ser, isso é minha responsabilidade, sou feliz por ser feliz. Sei que não se é feliz o tempo todo, eu não sou. Se existe alguém que seja o tempo todo, que atire a primeira gargalhada... eu choro, faço beiço, me escondo, tenho medos...ihhh se tenho, porém, é isso tudo que faz as pessoas serem felizes, não é a felicidade que tem momentos, e sim outras sutilezas no meio da felicidade...Quando digo que mudei, que mudamos toda hora, não é falácia, é constatação. É fato. Mas é uma sutil diferença... escutei algo que começo a prestar atenção para saber se é verdade, me dizeram "tu mudou tua linguagem corporal, não sei, tem um jeito..." será? será essa uma sutil diferença que poucos notam ou notarão? será essa sutileza a ferramenta de ser ao invés de estar? uma pequena sutileza de encontros e desencontros que fazem o "ser"...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jogo do contente? Verdade ou consequência?

Essa inconstância humana às vezes me tira do sério, me irrita de verdade e até me cansa. Buscamos sempre algo, sempre atrás de alguma coisa que nem sabemos ao certo o que é. Um jogo do contente em que dizer que não está bem parece ser algo vergonhoso, se responde "estou bem" como se não pudesse confiar ao outro as aflições. É saudade quando estamos longe, mas quando estamos perto parece que "pode deixar para depois". É uma vontade louca de estar com alguém e quando finalmente se consegue estar junto desse alguém... bem, parece que a vontade diminui ou some.
Por que nem sempre damos valor ao que temos? Por que depois que perdemos algo notamos que jogamos fora uma "oportunidade"? Bem, alguns notam, para outros pode ter sido o melhor caminho, não é? Talvez mudar o caminho e seguir procurando algo que não se sabe o que é seja o melhor. Outros não perdem a oportunidade, alguns até a criam.
Pois nada é respondido, na verdade nem procuro respostas, não é um jogo de verdade ou consequência, procuro não precisar de jogos de advinhação, de esconde-esconde. Não procuro respostas, procuro perguntas para serem debatidas em conjunto, em pares. Procuro ser individual sendo um par, sem precisar de jogo do contente, procuro ser eu mesma, sem me preocupar quando é cedo ou tarde para fazer ou pensar. Não tenho nada contra a consequência, ela muitas vezes dá uma apimentada na vida, mas, eu prefiro a verdade com a pimenta que naturalmente vem nela!!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

visual novo

Mulheres, em geral, quando querem uma mudança radical na vida começam cortando o cabelo. Cortar curto ou mudar a cor, o que importa é mudar o cabelo. É interessante pensar que umas tesouradas no cabelo possam resolver tanta coisa, tudo bem que é mais fácil uma tesoura no cabelo que na vida, afinal, cabelos crescem...
Quando cortei meu cabelo (bem curto)em 2008 escandalizei, quase ninguém acreditava que troquei uma cabeleira longa por um corte curto e desfiado, mas eu fiz e lembro de um comentário amigo que me disse depois algo assim: "parece que as mulheres se automutilam cortando o cabelo porque algo não deu certo no amor ou por querer cortar com o passado", coincidência ou não, eu tinha recém saído de um namoro fracassado (rsrsrsrsr), talvez, cortar com o passado tenha sido a minha melhor opção. Com alguns ensinamentos, tropeços, lágrimas e um recomeço bem resolvido comigo mesma resolvi também mudar o visual. Mas calma, nada de automutilação ou cortar com o passado, já curti meu cabelo curto e ele está até bem crescidinho... e o meu passado me faz bem, me preenche e me faz olhar para o futuro...então, em tempos de tecnologia, ao invés de mudança de cabelo a mudança é no design do blog. E eis que o blog está de visual novo para mais uma mudança radical na vida dele (e na minha), porque no final das contas, conto aqui alguns dos meus devaneios (rsrsr), um visual mais vibrante, alegre, feliz e intenso... como a dona dele.
bisous

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

de volta para casa

Retornei há uma semana, o ritmo não é mais o mesmo. Ainda não consegui rever todas pessoas que quero, mas já as sinto ainda mais perto(já estamos no mesmo país, isso ajuda rsrrs).
Voltar para casa é um mergulho na intensidade de sentimentos, um turbilhão. Logo no aeroporto vejo meu pai chorando, e seguindo o que meu irmão Fabiano falou: "a velhusca não sabe se ri ou se chora" mas tem que se pensar que um abraço de pai com saudade e lágrimas te complica as emoções. Rir de feliz, chorar de feliz...talvez seja porque faltam expressões para se demostrar quando a felicidade é grande demais. Por melhor que tenha sido a França, por mais que eu tenha aprendido, experimentado, visto e ouvido, nada é completo sem quem a gente ama por perto. BEM PERTO, fisicamente e emocionalmente. Nessa semana que passou, tive algumas ótimas surpresas, começo a experimentar o gosto do retorno. O sabor de ser "bem-vinda", de sentir a saudade ser matada, de saber que vou conseguir fazer o que me faz bem e com êxito. Realmente estar de volta me faz muito melhor.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

eu to voltando pra casa...

Fácil encontrar músicas, poemas, frases e expressões sobre voltar para casa. Deve ser pelo fato de que precisamos sair para voltar. Precisamos ter um "porto seguro", um "lugar para chamar de nosso". Daqui menos de um mês "eu tô voltando pra casa/ Outra vez"...o fato de já ter ficado fora me fez mais forte dessa vez, me fez saber que daqui a pouco tudo se torna igual novamente e, mais uma vez, resta saudades...Posso dizer que "mudaram as estações, nada mudou/ Mas eu sei que alguma coisa aconteceu/ Está tudo assim tão diferente...Estamos indo de volta pra casa"...Nem todos nós estamos voltando, alguns continuarão aqui, outros irão para outros lugares seguir o caminho que melhor lhe convém, mas eu, "minha mãe estou voltando/Que falta faz pra mim um beijo seu". Se "um homem viaja o mundo à procura do que ele precisa e volta para casa para encontrar" eu já estou louca para voltar e encontrar. Daqui uma semana meu irmão chega e a minha casa estará mais perto de mim. Minhas últimas aulas, última prova e daqui uns dias última festa em Troyes. Para muitos, última vez que os verei, último beijo, último abraço, último sorriso, e lembrando meu amigo Bruno, última rebolada na França. Aquilo tudo que foi muito intenso termina, toda aquela mistura de sentimentos se transforma, toda lágrima, cada aula chata ou maravilhosa, todo riso, todo queijo que comemos e vinhos que bebemos também mudarão de lugar, se mudam de Troyes para diversos países. Cada "Erasmus" leva consigo um pouco disso no coração e na memória. É impossível ser indiferente ao que vivemos, ao que vivi. "Um homem precisa viajar... Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu...Conhecer o frio para desfrutar o calor...Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância...quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.
E fomos alunos, fomos amigos, fomos família. Sentimos o frio, brincamos com a neve, aprendemos cada dia e assim, fomos surpreendidos por essa "coisa" chamada vida. Essa vida que continuou acontecendo sem a gente no Brasil e que mesmo assim, nos deu boas surpresas mesmo de longe. Nos fez saber que tem gente esperando pela gente, até pessoas que antes de eu vir eu nem imaginava. Fiz amigos que serão para sempre, vivi medos, situações e sentimentos que servirão de lição. Com certeza fiz aqui o que todo mundo me dizia para fazer: "aproveita!!!" APROVEITEI, APROVEITAMOS... E FOI MUITO BOM ENQUANTO DUROU... ainda tenho mais uma viagem, vou a Praga com meu irmão e amigos... antes de voltar para minha casa, ainda volto para minha casa de Troyes, que tem meu cheiro e até criou meu jeito. Porque voltar para casa é reconhecer-se...

bisous

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!!!

Último dia de dois mil e dez...
"Ainda há surpresas mais eu sempre quero mais"

ótimo 2011, que a vida seja ainda mais bela e feliz, que as pessoas saibam perdoar e pedir desculpas, que sejam capazes de amar e de se entregar. Que as pessoas cuidem mais do meio ambiente, do seus corpos e mentes. Que 2011 os sonhos se realizem e sejam planejados e que todos caminhos sejam iluminados e cheios de boas energias.
FELIZ ANO NOVO!!!!!!!! HAPPY NEW YEAR!!!!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Natal e família

Primeiro Natal longe de casa, longe da minha família... isso já me fez chorar algumas vezes e até já me deu vontade de fazer de conta que não era Natal. Afinal, para mim, natal é estar na casa de Itapeva, com mãe, manos, Lauren, Izabela, Patricia, Jorge e agregados. Aquela nossa bagunça: eu e Patricia arrumando a mesa, mãe cozinhando, aquele cheiro maravilhoso que se espalha pela casa... Fabricio e Fabiano dizendo "oh meu, tu tá podre, foi tu né?" rsrsrsrs; Izabela gritando e correndo louca para ver os presentes e esperando o Papai Noel; Lauren vestida para entregar os presentes... coisas que fazem com que nosso natal seja "o nosso natal", então, se não terei isso esse ano, não será um natal de verdade. Não será completo...por melhor que seja, faltará eles... faltará quem faz parte de mim. Quem eu amo mais que tudo. Isso tudo não é só porque é natal ou porque estou longe, eu sempre soube dar valor a eles, sempre curti isso. Logo estou voltando para casa, ainda mais logo meu irmão está vindo e isso me dará uma energia nova. Semana passada fui à Itália, tomei champagne na Louis Vuitton de Milão, paguei por uma taça de vinho quase o que pago por uma garrafa aqui na França, sai de Florença antes que os trens parassem por causa da neve, quase todas unhas quebradas, um nascer do sol em Veneza de arrepiar e o mais emocionante: fui em Cássia, cidade da Santa Rita. Lá rezei, pedi e agradeci por essa família maravilhosa que tenho, pelos meus amigos, pelas surpresas dessa nossa vida e pelas pessoas que cruzam e permanecem em nossos caminhos.
Ir na cidade de Santa Rita não estavam nos meus planos, mas como quase nada foi planejado por aqui, achei que era hora de eu ir... e foi uma hora maravilhosa. Para 2011 não farei planos, metas ou coisa que o valha, eu viverei como disse que viveria: intensa e pensando que as coisas acontecem exatamente como devem acontecer...destino ou a palavra que melhor caber, eu aguardo de braços e coração aberto tudo que 2011 tem para me oferecer, com pensamento positivo, fé e coragem para enfrentar os desafios, esperando que seja mais um ano maravilhoso para mim, para minha família e amigos. Natal longe deles, mas com o coração bem perto...com a certeza que de logo vou tê-los por perto, e mesmo longe eles me dão força e me fazem feliz cada um do seu jeitinho. Mãe, Pai, Fabricio, Fabiano, Patricia, Lauren, Izabela, Jorge... EU AMO VOCÊS e SENTIREI MUITO A FALTA DE VOCÊS NESSE NATAL!
Desejo a todos um Natal cercado de amor e de pessoas, que de alguma forma (longe ou perto) façam parte de ti. Desejo também, um ano novo maravilhoso, cheio de surpresas boas, alegrias e realizações, com muita luz e paz.

Beijos

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

desprender

Voltar a ser criança é se desprender. Semana passada fomos a Euro Disney, e realmente é um mundo mágico. E eu, que há 15 anos fui na Disney pude rever quase tudo com outros olhos. Lembro bem que aos 14, eu tinha certa vergonha em tirar foto com os personagem ou me deslumbrar com o cenário que eles montam para que a gente se sinta exatamente assim: deslumbrada. Olha que eu não era uma adolescente que se importava muito em parecer ou não criança, mas imagino o trauma que isso pode causar a um adolescente: ser criança/não ser criança, não ser adulto/ser adulto... certeza que mais uma vez, minha mãe teve que ser "dura na queda", teve que saber ensinar, e ensinou bem (tadinha, 3 filhos significa que ela passou por isso 3x), mas essa reflexão sobre a bipolaridade doida da adolescência foi para me fazer pensar porque é tão difícil se desprender? Se desprender da infância, da adolescência, do colo da mãe, de uma cidade, de um amor...Porque é tão difícil soltar as mãos? Soltar as mãos do mesmo jeito quando se solta as mãos na montanha-russa e se curti o vento gelado batendo no rosto. Porque é tão difícil mudar de cidade, de emprego, porque é tão difícil "experimentar o novo"?
De uns dias para cá, resolvi que iria me desprender de algumas coisas : começei me desprendendo de uma pessoa que estava me fazendo mal, e talvez, fazendo com que eu perdesse outras coisas, e nesse instante, notei que já pratico a arte de "soltar as mãos". Me desprendi quando fui para Londres, me desprendi quando fiz a primeira tatuagem, e a segunda, me desprendi quando chorei dias e noites por um namorado que me deixou, me desprendi há 3 meses quando decidi vir para Troyes e tantos outros desprendimentos que ainda não tinha me dado conta... não tinha me dado conta que não é tão difícil assim se desprender...e quando a gente se desprende as oportunidades fluem mais, o olhar se abre... não é tão díficil soltar a mão da montanha-russa e se sentir ainda mais livre. Não vem me dizer que na montanha-russa tem o cinto que te dá a certeza que não vai cair... eu não tenho certeza nenhuma... dá o medo igual, mas não vou deixar de soltar as mãos... não vou deixar de me desprender Se eu ficar presa eu posso perder algo mágico que está por vir...então abra os olhos, solte as mãos e espere o próximo looping!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Trois mois

Começo o post citando Coco Chanel: "Eu já não sou o que era: devo ser o que me tornei". Hoje faz 3 meses que estou na França e parece muito mais, deve ser por que vivemos tudo com muita intensidade, deve ser por que eu sou intensa: fazer uma janta para amigos torna-se um evento, ir a lavanderia, banco, mercado, lojas, coisas cotidianas que viram aulas de francês involuntárias, tudo vira mais, um beijo, um olhar, um abraço, um rebolado... Todos os dias tem uma surpresa, desde quando chegamos no aeroporto e descobrimos que não havia mais ninguém nos esperando até a primeira neve que teve semana passada, neve a qual fez com que saíssemos pelas ruas fazendo guerra de bola de neve depois da festa.
Se adaptar ao horário, as aulas (pela língua, pelo distribuição das aulas), a distância, se adaptar a um mundo que não é totalmente real e com tempo para terminar. Conhecer e se conhecer, se surpreender com pessoas, andar na rua e não saber mais qual a língua que deve ser dita, viver em uma cidade e saber que se encontrar alguém na rua se sabe exatamente de onde a conhece: da faculdade (de uma ou da outra), saber que alguns amigos que fiz talvez eu nunca mais os veja, saber que algumas coisas serão totalmentes diferentes. É um clichê dizer isso, mas é a pura verdade, o tempo passa muito depressa quando estamos vivendo algo diferente...(desculpa, mas preciso usar das palavras de outra pessoa novamente): "o tempo é relativo" bem sabia Einstein, e, 3 meses aqui quer dizer 2 meses para eu voltar. Sei que dezembro vai passar muito rápido e logo será janeiro e minhas últimas aulas e dias por aqui. Cada vez mais vejo que aqui, ai, ou qualquer parte do mundo o importante é viver o dia, mas não é viver sem pensar no amanhã (não sou imprudente e talvez nunca serei), é viver pensando que o tempo voa, viver pensando que no outro dia tem mais e será totalmente diferente e isso é que faz feliz, te faz melhor...Fiz muita coisa aqui, todas que minha cabeça, coração e bolso permitiram, não faria nada diferente... e estou certa que esses 2 meses serão do mesmo jeito: intenso, diferente, surpreendente e principalmente, serão vividos como todos os outros que terei do dia de hoje para frente, e quando eu estiver ai de volta e estiver triste por algo, vou lembrar dos dias daqui e vou levantar a cabeça e chutar para frente, porque eu vim foi para fazer meu futuro diferente, de um jeito ou de outro.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

quanto menos esperamos...

mais nos surpreendemos..
Nesse último final de semana fui para Bélgica com o pessoal da faculdade, conheci Bruges; uma cidade linda, cheia de charme, bem aquelas de filme, mesmo chuvendo quase todo o tempo valeu todas as vezes que abri o guarda-chuva...

Depois de Bruges, fomos para Bruxelas. Eu não esperava que fosse tão bonita,mas é, além do cheiro da cidade ser maravilhoso, não é só cheiro de chocolate belga, os dos waffes também, o cheiro se espalha pelo ar, ainda, Bruxelas tem cheiro de cultura pura; as ruas são uma galeria de arte a céu aberto, para completar, as árvores mostravam que logo vai esfriar mais, e mais quer dizer menos. Menos como o -1 que já fez na França.

Depois de um final de semana em que ri muito como Bruno e Giuliano, cheio de surpresas e descobertas de mim mesma (sim, alguns segredinhos guardados), veio algo que nunca fiz antes: apresentação na faculdade em inglês, mesmo estando na França, as aulas são em inglês (bom lembrar isso). E vou contar para vocês, tremi a perninha e tive que respirar fundo para não fazer muito feio hehehe. Bem, termino o post, como começei: quanto menos esperamos, mais nos surpreendemos. E isso vale para tudo e eu, ah eu adoro ser surpreendida!!!!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

mar, viagem, dois meses...


Semana passada, foi feriado aqui também, porém, dia 1 de novembro: todos os santos (e não 2 de novembro como no Brasil) fomos para o Monte St. Michel, St. Malo e Normandia. Ver o mar é sempre renovador. Caramba, como pode? que energia que tem a água salgada, a areia (mesmo com textura diferente), o cheiro... isso me renova, foi uma viagem inesquecível. Dirigimos por estradinhas que pareciam cenas de filme, vimos paisagens e folhas caindo que viraram momentos mágicos. Em St.Malo vimos um pôr-do-sol lindo, aquele céu laranja com o mar ajudando... bah, é impagável! Da viagem ainda tenho para contar que o quarto do hotel teve vinho, damasco, pistache e violão, jogo da regra e 4 brasileiros que se tornam cada vez mais amigos...Da "rotina" tive bastante aula essa semana e amanhã: aula novamente, tudo bem, para quem só se livrou um semestre de aula ao sábado na UFRGS, dois sábados será coisa pouca, eu até estava sentindo falta da correria, para completar a diferença de horário daqui e do Brasil diminuiu: 3 horas só! isso facilita e atrapalhada. Mas já vou me ajeitar a isso também. As aulas estão super boas (tirando alguns estudantes franceses que se comportam como se estivessem na escola primária), aprendendo bastante,quebrando a cabeça algumas vezes, mas foi para isso que vim, não? ainda por cima, reiniciei meu TCC e com força total, tenho muito para ler e aprender, mas adoro isso!!!
Dois meses aqui, falam que o tempo passa rápido e que temos que aproveitar: estamos sabendo aproveitar, cada um do seu jeito, com todas particularidades e loucuras, com essa mistura de novo com saudade, de curiosadade e de medo, com cheiro de vinho e champagne, sabor de lentilha e crème brûlèe... é, o quarteto fantástico tem aproveitado bem!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

greve, temperatura negativa e selo no passaporte

França tem greve, e greve forte. Desde que chegamos já teve greve do RU, dos trens e agora a mais forte delaa. A dessa vez bloqueou refinarias e isso tem fechado postos de combustível e feito com que se instale o caos. Essa greve é um protesto contra a reforma previdenciária que será votada essa semana. A França é um país marcado por trabalhadores que seguem o lema "liberdade, igualdade e fraternidade" e une-se a isso a democracia e a sede por direitos e tem-se a greve e as consequências que esse grito social carrega em si. Aqui é interior, então não estamos vendo os protestos de forma forte, mas adiamos uma viagem para Normandia já que não sabemos até quando vai durar, se Lady Gaga cancelou seu show em Paris nesse final de semana, quem somos nós para não adiar (em uma semana) nossa viagem? E falando em direitos, agora tenho direitos à alguns benefícios franceses. Tenho minha carte de séjour e sou moradora francesa, fui ao CAF hoje e parecesse muito com uma agência do INSS do Brasil, e o CAF nada mais é que uma "bolsa-família", desculpe a generalização, mas é mais ou menos assim (entre outros beneficíos): se estuda tem direito, logo, eu também tenho.
Trocando de assunto, e falando de tempo, não tempo ruim de greves e protestos, mas tempo de temperatura negativa, quase dois meses, e ao acordar vi a temperatura de -2,
era um frio diferente do nosso do sul, já dá para notar como será o inverno se estamos ainda no outono. Acho que vou enjoar de ver neve :-)

au revoir

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

segundo, terceiro, quarto... olhar


Voltei a Londres, 5 anos depois, muitas situações novas, outras, nem tanto. Emoções que se repetem e se modificam, como podemos ser diferentes cada dia?
Sempre soube que voltaria a Londres, desde que fui embora. Sabia que iria voltar e isso era mesmo uma sensação perene, então, há uns meses, como um furacão que passou na minha vida eu vim para França e daqui voltei a Londres (a passeio dessa vez). E a sensação de de retorno e mudança continua perene em mim. Além de ver Londres de outro modo, me vejo sempre a mesma e sempre diferente. É estranho ter a sensação de mudança, mas saber que minha essência não mudará. Que posso ter vários olhares sob situações e pessoas diferentes, de ver que tudo pode ser mais fácil, de notar como eu me preocupo com antecedência e de nada adianta, de como eu tenho medos que são inviáveis, de algumas vezes até me acomodar e deixar o mais fácil acontecer, porém, ao mesmo tempo uma sede insana por não me acomodar, de buscar sempre algo que ainda fico na dúvida do que é. Será que sempre vou ter essas dúvidas? Será que sempre terei olhares diferentes e sempre buscando algo? No tempo que eu estava em Londres guardo inúmeros sentimentos, guardo amizades e um amor que tive, guardo lembranças que me fizeram melhor, me fizeram menos ingênua e até mesmo me mostraram que posso superar meus limites quando eu quiser. Aqui tem sido menos difícil que foi em Londres, de saudade, de morar, de conviver... talvez por eu ser diferente do que era, talvez por aqui ser diferente de lá, o que importa é que aqui tem me feito ainda mais humana tanto quanto Londres me vez e que guardarei lembranças e ensinamentos para sempre...

Au revoir

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Saudade...

Aperta e doi... a saudade é mesmo bem dolorida.
Estou bem, com saudades, mas bem. As aulas (sim, vim para cá para estudar, e as aulas tinham que começar!!rsrsr)bem, as aulas começaram, com força quase total, também fazer tantas cadeiras quanto estamos fazendo (Bruno, Lidi, Giuliano e eu) é mesmo para eu não ter tempo de "pensar besteiras"... mas saudade não é besteira! e mesmo com aulas, festas, novos conhecidos, novos amigos, a saudade vem quando ela bem entende.
Sinto saudade de tantas pessoas e coisas: saudade de mãe, pai, irmãos, sobrinhas e amigos, e outros amigos também rsrsr... mas sinto saudade de pastel, de caminhar na redenção, de dia de sol forte, sinto saudade do mar, do cheiro de feijão (preto) novo no prato, de ver televisão no sofá, da minha cama grande. Sinto saudade do pessoal da academia, do RPM, de caneleiras (na academia da faculdade não há caneleiras: machistas! mulher tb malha rsrsr), saudade do meu saco de boxe... essa saudade que sentimos na falta... mas a saudade também faz a gente ficar mais próximo de quem está perto, parece que algumas pessoas se tornam conhecidas de muito anos, amigos de longa data, amigos que sabemos que podemos contar, parceiros mesmo!!!
foi assim quando conheci a Marisa, e agora está sendo com a Lidi... bom ter essa sensação de "apoio", essa amizade que não precisa do tempo para ser forte, amizade que depois deixa, mais um vez, saudade...
A saudade aperta, doi, fortalece e transforma... porque a distância não separa quem é "nosso" de verdade. E parando para pensar bem, as vezes precisamos mesmo de um aperto para dar ainda mais valor as pessoas e coisas

Au revoir!

sábado, 25 de setembro de 2010

comunicação... eu tento!

Se comunicar até não é difícil. Mímicas, imagens, objetos, palavras soltas ou não, ajudam na comunicação, arrumar um jeito de ser entendida. O problema mesmo é se comunicar do jeito certo.
Hoje fui ao cabeleireiro aqui na França. Sim, a louca aqui, foi fazer luzes sem nem saber como se falava: "quero fazer luzes, claras, que não fique tom laranja, e tem que ser fina" hehehe, sim, porque era exatamente isso que eu esperava que ela entendesse quanto eu começei a "me comunicar". Com a sorte maior que o juízo meu cabelo ficou exatamente do jeito que eu queria. Saber como é o procedimento já ajudou (anos fazendo no Brasil, já serviram, rsrsrsrs), aliás essa foi "a semana". Na segunda, dia do meu aniversário, quebrei meu dente embaixo da Torre Eiffel(tudo bem, não foi em qualquer lugar, como disse uma amiga, "foi em lugar chique"), mas quebrou do mesmo jeito e lá fui eu para o dentista tentar me comunicar (mais uma vez saber o procedimento me ajudou), ao menos pude dizer "merci beaucoup" e "très bien" como forma de agradecimento. Mas nem tudo sai bem nessa minha comunicação, e o pior da história é que não foi nada de francês, inglês ou qualquer outra língua, não consegui me comunicar do jeito certo na linguagem do coração mesmo e usando as palavras em português (que eu pensava saber "falar"). Quando quase todas perguntas foram feitas e respondidas, quando se nota que a forma de comunicação não foi a certa e que não adianta usar mímica, imagens ou sons, de que não adianta querer voltar e mudar, quando se nota que o melhor é ficar quieta do que se comunicar... eu noto também que muitas vezes a comunicação que tentamos expor não é recebida do jeito que queremos. Tem sido muito mais fácil entregar meus cabelos (mesmo com medo de ficar careca)e sentar na cadeira do dentista (sem ter certeza que daria certo) do que quando acho que estou verdadeiramente "falando"... se comunicar é fácil, difícil é agir do jeito certo...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

aventuras de morar sozinha 2

antes um anexo: Não saia de casa sem rímel. Esse conselho eu dou a toda mulher, para mim, literalmente é como se eu estivesse nua, e sem roupa também não dá para sair né? Pois quando a auto-estima estiver baixa, passe rímel, quanto estiver alta, passe rímel também!!!!



Nos últimos dias tenho me estranhado, não me reconhecendo. Talvez seja o inferno astral rsrsrsr. Tenho tido mais sono que o normal, mais preguiça, tenho visto que meu coração está mais forte que a cabeça (lembro que eu acostumava cansar mais rápido)deve ter algum motivo, entender já notei que não irei mesmo. De coisas práticas, aqui na França, não tenho paciência nem vontade de lavar a louça, será que isso é algo contagioso para quem mora sozinho? Hoje mesmo, lembrei de quando ia limpar o apartamento do meu irmão e o pior era lavar aquela louça, nossa parece que tinha vida própria (rsrsrsrs), lembrei também um outra casa de "morador sozinho" e igual similaridade com a pia da cozinha, mas achava que isso era coisa de "homem morando sozinho" mas estou começando a achar que isso é mesmo de morar sozinho,homem ou mulher, não é questão de XY, deve ser universal dos "moradores sozinhos", acho que esperamos que a louça se lave sozinha, que ao dormirmos ela simplesmente amanheça limpa (hahahhaha), eu ao menos, espero. O pior mesmo, é receber visita, juro que vou voltar a ser a Flávia que acha uma gafe "aquela pia" hehehe
Mas continuando sobre minha experiência de dividir o apartamento comigo mesma, tenho começado a aprender a meditar, tenho seguido os ensinamentos da amiga e massoterapeuta Lenita... trouxe vários incensos, escutado várias músicas e isso tem me feito bem, espero aprender as coisas boas que a meditação pode me trazer e as músicas me fazem lembrar alguém, me lembram coisas que vivi, e algumas ainda me fazem pensar, ainda não sei meditar sem pensar em nada, mas acabo pensando coisas boas, agradecendo. É como se fosse uma oração...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Apaixona-se





Amanhã... apaixone-se
(...) por isso dance, como se ninguém estivesse vendo você, trabalhe como se não precisasse de dinheiro,corra como se não houvesse chegada AME COMO SE NUNCA TIVESSE SIDO MAGOADO ANTES...sorria, como se não tivesse lágrimas, abrace como se fosse todos amigos...VÁ, COMO SE NÃO PRECISASSE VOLTAR!!!!


au revoir!!!

sábado, 11 de setembro de 2010

novidades

Duas semanas aqui e bem adaptada. Hoje foi um sábado de sol maravilhoso, fui passear pelo Sena (tb passa aqui), comprar minha passagem para Paris (vou passar meu aniversário por lá e no domingo iremos fazer picnic com legitíma champagne e bolo) muito bem né?
Em duas semanas já sei quais as viagens que vou fazer, ou tentarei, quais as cadeiras cursarei, quais dias terei aula, já tenho cartão da facul, de banco, quanto tenho que economizar e gastar ufaaaaa!!!! tá certo que sou uma virginiana nata, mas assim, tudo certinho e tão rápido até eu estranho heheheh
Quanto a ambientação, já não esqueço da sacola para ir no "supermarché" (cansei de carregar na mão) estou igual formiga, cada dia trago uma coisa que falta, agora já não falta nada de primeira necessidade. Já mudei o horário do notebbok (ele estava com horário do Brasil e parece que só me dava sono qdo olhava q já era tarde ai, agora estou aqui, horário daqui!!!) Já vi que os estudantes aqui são mais barulhentos que os do Brasil, que o povo esbarra contigo na rua e nem pede desculpa (depois é brasileiro que é mal educado, né??), já provei queijo tipicamente francês, e para meu gosto pobre de queijos, digo que achei bastante forte, já pedi dicas para quem sabe...Falando em experimentar, hoje, no meu passeio fui ao "mercado público" daqui e degustei um vinho artesanal que me deixou um gosto doce na boca por longas horas. No passeio, claro que não resisti entrar na "Sephora" e só olhando as fotos já dá para ter uma ideia de quanto fico perdida com tantas opções.





Falando em perdida, quem convive comigo sabe que não ter senso de direção é meu forte... se o lugar é para esquerda, lá vai a Flávia dizendo que é para direita... pois agora imaginem, além de estar morando em uma cidade nova ainda dou de cara com uma loja assim, aiiiii fácil demais se perder aqui também, podem começar com as encomendas heheheh
Morar sozinha também é algo importante de se colocar nesse post, morar sozinha na França mais importante ainda... meus sábados no Brasil eram dias de fazer as unhas, sobrancelha, e aqui também está sendo, se tratando de higiene, faço exatamente o mesmo que fazia no Brasil (tomo banho todos dos dias,inclusive hahahaha), limpar a casa e supermercado eu já fazia de qualquer jeito, mas de diferente mesmo tem sido cozinhar e lavar roupa à mão, torcer é a pior parte... ahhh isso tem sido, digamos, complicadinho... mas o pior é pensar no que comer, tem que ser fácil de fazer, ser saudável, e aqui, ser barato. Daqui a pouco já ligo para minha mãe só para perguntar como faz tal comida heheheheh, a Karen já me ajudou em um risoto via msn heheheh... vou voltar "chef" juraaaa!!!!!